sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Eu só queria pecar

Era uma pessoa absolutamente anormal. Quando ela apareceu, perguntei à mim mesma. –Por que essa vaca tem alguma dúvida de como tenha ficado prenha?

Cursando medicina consegui a resposta. Ficou prenha por que abriu as pernas como se o que tivesse ali no meio fosse um ponto turístico. Certa vez chamei-a de “Arco do triunfo”. Talvez a piada estivesse velha. Porém a verdade não deixava de ser atual.

Volto sete meses no tempo. Talvez tenha sido a última vez que escutei Raul fazendo daquilo um prazer insuperável. Eu sozinha, encarando uma ponta de um baseado. Eu nunca tinha visitado aquele mundo, Raul sim. Ponta essa, que por sinal gerou dúvidas de uma vaca prenha sete meses depois.

No quarto ao lado movimentos árduos. Na sala, um baseado, um espartilho, uma música, e um só pensamento. Qual pensamento seria esse? Raul, de fato me deixava inerte naquele momento, como sempre deixou.

Ouvi gritos. Seria um ato de desespero? Seria um ato de prazer?

A vodka já era. Leite já não fazia mais parte dos meus planos. Virei o disco, e a primeira faixa vem como uma bomba em minha mente parcialmente vazia. Capim Guiné era o nome da musica. Aquela ponta estava ali, ao lado do toca-discos.

Acendi. Enfrentei-a bravamente. Seria culpa de Capim Guiné? Seria um ato falho?

Fumei, e percebi que depois de tantos anos não tinha falhado. A hora era aquela. A hora tinha chegado. A hora era aquela. Não pude deixar passar.

Aquilo me deu coragem. Criatividade.

Tudo que eu precisava no momento era de um espartilho. Mais nada. E esse eu já tinha. Providenciei exatamente de ter em posse somente o que eu precisava. Espartilho; Nu e cru.

Até aquele instante da minha vida. Toda a idéia que eu tinha sobre masturbação, era que esse seria um crime dos mais cruéis. Não era só um crime, era um ato falho.

Incoerentemente aquele momento me fazia desacreditar em tudo o que eu acreditava.

Eu já tinha um item: Espartilho. Nesse exato momento adquiri mais dois: coragem e um dedinho que tudo julga.

Teoricamente não estava sozinha em casa. Na prática sim. Apaguei todas as luzes da casa, peguei uma cadeira e caminhei até o quintal sob uma lua encorajadora. Ali sentei. Ali pequei.

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